26 janeiro, 2012

Que é pra ver se você fica - II

Moço, eu estou escrevendo para você e eu prometi que para você eu nunca escreveria. Você sabe, eu escrevo quando me sinto sufocada. E com você eu não sinto isso, pelo contrário, sinto-me tão livre que tenho medo de me enrolar com tanta corda que você me dá. Não faz nenhum sentido, não é moço ? Não disse que faria. O que me fez ter certeza que eu precisava escrever para você, foi algo que ocorreu a pouco.  É que ontem a noite vi uma atualização numa rede social qualquer e vi seu nome na tela do meu computador iniciando a amizade com qualquer pessoa  mulher bonita que provavelmente você conheceu de forma aleatória na rua enquanto ela tropeçava em você e depois saíram para jantar e tornaram-se amigos, ou talvez ela seja só sua prima, ou sua colega de infância, tanto faz.  Só sei que o monstrinho ciumento que há dentro de mim gritou, afiou as garras e na mesma hora eu tive vontade de atravessar as barreiras entre entre o virtual e o real e criar um obstáculo entre você e ela e gritar “É MEU!” - mesmo sabendo que isso é uma mentira. Eu sei que você não é meu, mas isso não me dá a garantia que não pertence a outra pessoa. Às vezes durante o dia eu nem lembro da sua existência, mas chega a noite, o subconsciente me trai e adivinha quem me tira para dançar no mesmo sonho toda noite ? Na semana passada reencontrei antigos conhecidos, que não hesitaram em perguntar por você. Queria saber, moço, quem foi que iludiu todo mundo com a idéia que eu e você nos transformamos em “nós”. E eu desconverso, já que sei tanto quanto elas sobre você. Eu realmente queria ter alguma idéia em que universo distante você se encontra agora que não nos encontramos mais. Moço, outra coisa que me intriga é como é que todo mundo que me conhece sabe de você. Não é possível que eu fale tanto de você assim para os outros. Talvez eu tenha mencionado você algum dia aleatório, ou tenha desmarcado algum compromisso para sair com você, ou cheguei na casa de alguém com as flores que você me deu, ou atendi o celular na frente de todo mundo quando você me ligou e fiquei sorrindo abobalhada, ou talvez quando estava  comendo pudim tenha lembrado que você gosta bastante disso. Devo ter mencionado você com certa frequência em dias aleatórios. De vez em quando eu lembro de algumas coisas, só para ter certeza que você não foi uma imaginação da minha mente. Releio as cartas, os emails e os bilhetes. Fico me perguntando por que não temos fotos juntos. Ah, e os sms. Mesmo aqueles da operadora que só foram para avisar que você ligou. Todo o dia eu prometo que não vou pensar em você, não vou lembrar de você, não vou pensar... e quando eu vejo já estou quebrando todas as promessas, e fico imaginando você voltando e dizendo que é para sempre. Porque eu sei que você volta, você sempre volta - apesar de que as vezes eu tenho a impressão que um dia você não se cansa e não volta mais. Olha moço, por favor me explica porque nossa história tem que ser fragmentada e a gente não decide se caminhamos ou se damos um nó na ponta e paramos a história por ai. Sempre ocorre da mesma forma, você manda flores e diz até amanhã e ocorre um imprevisto e três meses depois minha vizinha pariu a criança prematura e eu ainda não tenho notícias suas além de um cartão de ano novo, depois você volta, me conta o que aconteceu nos 3 meses e diz que sentiu saudades. E depois de segurarmos as mãos, você larga e recomeça o ciclo. Entenda, que eu quero estar junto, mas quero por inteiro, quero de vez, quero que deixe de ser pela metade, que as coisas pelo meio não me preenchem quero de uma forma tão urgente que sinto os meu corpo se contrair de tanto querer, como criança fazendo birra para ganhar atenção. E eu digo que quero logo, mas tanto faz se vai ser amanhã, depois ou quando os ossos já estiverem virando pó. Tenho achado muita coisa ruim ultimamente, inclusive essa carta que está recheado de informações desconexas, que me faz lembrar que antes de você eu era tão pés no chão, tão metódica. E que depois de você, tudo se divide em sufoco, em urgências, em atos impensados, em fugas de madrugada. Queria saber até onde eu gosto dessa mudança. E em você, o que mudou ? E o que você gosta ? Qual a paisagem que você vê agora?  Moço, responde alguma coisa, que só o que eu tenho ouvido é seu silêncio e quando você está quieto eu me aquieto também, e tanta quietude me incomoda. Moço, faz alguma coisa que me indique se você está perto ou longe, se você ainda volta, se você ainda se importa, se quando as pessoas te olham elas me vêem em você ou elas só enxergam sua cara amassada sem dormir a dois dias. Sinto a garganta queimando do choro reprimido, e um nó que sobe e desce querendo se desfazer em soluços, só de pensar nas respostas que virão. Nunca imaginei que diria isso, mas se quiser ir embora, vai de vez. Não volta mais não. Não dá esperança mais não. Só avisa que vai embora, para eu parar de esperar. Vai ser um estado temporário de sofrimento, vai ser quase um início de loucura pelo término desse vício, eu sei. Todavia, passará. Esperar que é a dor que não passa nunca; só evolui para um desespero. E tão desesperada eu quebrei a promessa de te escrever cartas.

Esse é daqueles textos que eu começo quando escrevo trechos aleatórios no word e vou preenchendo esses trechos até eles formarem um texto com algum sentido. O que não significa que eles realmente tenham algum sentido.

Um comentário:

Luana Pagung disse...

Tendo sentido ou não, este texto fez tanto sentido pra mim, lembrou-me de um tempo, um sentimento, uma pessoa.

Eu realmente o li inteiro, quando me peguei já estava deslizando a barra e lendo até o fim, me encantei demais com as suas palavras. Que texto lindo!
Espero que teu moço volte, mas que desta vez fique. (:

Bisous.