11 outubro, 2014

Para não esquecer


O retorno


"Lembre-se sempre de olhar as coisas de uma outra maneira, o mundo parecerá diferente. 
Se não acreditar; veja.
Quando pensar que sabe algo, olhe de outra forma
Mesmo que pareça tolo ou errado, deve tentar. 
Nunca considere só o que pensa o autor do escrito, considere o que você pensa.
Tente encontrar a sua própria voz. 
Quanto mais demorar para procurar,  mais improvável será que encontre.
Não se resigne. Liberte-se.
Não fique num canto, olhe a sua volta.
Ouse ir buscar novos campos "
A sociedade dos poetas mortos 

Eu não sei por quanto tempo tem que eu tenho esse trecho guardado, nem sei exatamente se 

20 setembro, 2014

O dia dela



Parece que estou um pouco velho pra essa coisa da faculdade, esse ritmo que pessoas que acabaram de sair da adolescência levam por vida. Estou acostumado com a vida antiga, almoço em casa, trabalho, estúdio, gente madura e responsável e quieta. Mas, se não fosse a universidade, esse dia não teria ocorrido. E nenhum dos dias seguintes. Eu as vezes fico imaginando, tinha outras duas mesas na biblioteca, se eu tivesse sentado em outra, eu nunca a teria conhecido. E se eu não resolvesse meter o bedelho onde não fui chamado, ela nunca teria se manifestado. E se ela não se chamasse Cecília e nao falasse sacudindo os cabelos, talvez eu nem a notasse. E eu não viveria as"reinações " que ela cria. Se eu acreditasse em destino, diria que o nosso estava escrito para se cruzar naquele dia. Eu poderia culpar algum meteoro estrela, raio pela minha paixão. Eu não sei se estava escrito, previsto, se isso tudo é uma grande coincidencia. Sei que de 5000 usuários diarios naquela biblioteca, eu e ela estávamos na mesma hora, no mesmo lugar e isso foi suficiente pra alterar o que sobrou da minha vida. 
Tudo começou quando sentei numa mesa na biblioteca, entre dois grupinhos de estudo. Por mais que tentasse me concentrar, a criatura que estava de costas pra mim não parava de tagarelar, ignorando o fato de estarmos numa biblioteca. "É exatamente isso que eu não gosto no meu curso: A coordenação não explica nada, não me diz nada sobre minhas notas que não entram no sistema desde o ano passado.  Aliás, nem gente naquela coordenação tem, só tem aquela secretaria que sempre fala ' a corrdenadora não chegou ainda, volte mais tarde'" E ela fazia voz de falsete pra imitar a secretária.   Não dava pra ver o rosto deles, só ouvia as vozes e as gargalhadas da menina. Resolvi ajudar eles dois na empreitada, virei pra mesa deles, olhei apenas para ele e dei as informações sobre onde entregar o atestado médico para a prova.  A criatura que estava de costas -  com um casaco de desenho animado - ao invés de agradecer e seguir seu caminho, replicou, não acreditou, perguntou como é que eu tenho certeza daquilo. Um tom de mimo, que a tornava quase petulante.  Eu comecei a responder e ela virou para me encarar. Soprou a franja e piscou os olhos com um ar tão curioso que eu fiquei sem ação. Demorei mais que o habitual pra responder, titubeei e respondi que eu sabia porque já fiz segunda chamada. “De que?” foi a próxima pergunta da moça. Ela me olhava e sorria como se tivesse que ser simpática, mesmo não me conhecendo. Olhava o celular e olhava pra mim, esperando uma resposta. Eu expliquei que já fiz faculdade antes, que meus amigos já fizeram isso, que eu já fiz isso antes, que era fácil de resolver. Ela continuou sorrindo. Em 32 anos, não me lembrava de ter visto uma pessoa sorrir por tanto tempo ao ouvir uma informação irrelevante. Ela me agradeceu e voltou a discutir com o menino algum outro assunto. Perguntou se eu poderia emprestar uma lapiseira para ela terminar de escrever. Dei minha lapiseira predileta para ela e até hoje ela não voltou para minhas mãos.
A mulher - que ainda não tinha nome - continuou tagarelando do meu lado, sobre a viagem que fez no carnaval, sobre os cachorros loucos que tinha na universidade e do nada ela olha pra mim e pergunta "Tem cachorro?" Me surpreendi com a pergunta - do nada - e respondo que crio uma do meu primo. Ela pediu pra eu contar a história do cachorro.  Terminei de contar e ela ria das desventuras do meu cachorro louco. Contou histórias dos seus gatos. E terminou a história dizendo "Mesmo que você não tenha perguntado isso, me incomodo em não saber o nome das pessoas com quem eu falo. Estranho, como é seu nome?" Tive que rir, porque ela emendava uma pergunta na outra. "Fernando", eu digo, "Cecília" ela diz logo em seguida. E volta a conversar com o amigo do lado e me ignorar completamente. Fiz menção de que ia voltar aos meus afazeres e ela virou-se abruptamente e perguntou "quer chiclé?" e eu educadamente recusei e ela insistiu dizendo que tinha odiado e precisava se livrar dele. Aceitei e coloquei na boca e não vi nada demais no chiclete - porque diabos ela falava chiclé?? - e ela sorriu satisfeita 

26 agosto, 2013

sobre comportas


Se antes fosse pensado nisso, haveria menos maré cheia nos olhos e enchente cessaria. Se as comportas já não comportam e a cidade veio abaixo, sossega menina. Deixa estar, que se foram embora pouco mais de uma centena, 365 virão ainda. E se a maré destruiu a cidade, que o primeiro construtor tenha audácia de aparecer e começar o trabalho. O primeiro incentiva o segundo e o terceiro. E se o décimo errar o trabalho, o primeiro volta para consertar. Sossega menina, que quando o 364º construtor chegar o concreto já vai estar enxuto, a comporta estará pronta e olha, maré alta ou maré baixa  tudo fica em sua lugar. Aquieta menina e vai buscar o segundo construtor, que o primeiro já foi embora.

01 agosto, 2013

Dia 37 - Sobre ser morada

Eu nem tinha ido dormir e soube que minha mãe estava interfonando para me visitar. Visitas da minha mãe nem sempre eram ruins, apenas quando ela decidia que deveria cuidar de mim, coisa que ela está uns 30 anos atrasada em fazer, mas é uma situação que eu aprendi a contornar. Ela subiu, entrou no apartamento, conversamos um pouco, ela me contou um sobre o câncer terminal da vizinhas e assuntos desse nível de tristeza. Típico da minha mãe. Disse que iria no meu quarto, pra guardar os documentos que eu tinha pedido que ela trouxesse. Disse que podia deixar na mesa, mas ela insistiu em guardar no armário, entro do quarto. Paciência. Pensei em voltar aos meus afazeres até que ouvi minha mãe gritando "VOCÊ ESTÁ NAMORANDO E NÃO ME FALOU NADA??" Gritei no mesmo tom urgente "NÃO, NÃO ESTOU NAMORANDO!". Ela ficou em silêncio do outro lado e de repente surgiu do meu lado com um sutiã branco com ovelhinhas estampadas e só me disse "Isso é resquício de um caso rápido do fim de semana então?" Minha mãe queria demonstrar reprovação, mas via a cara dela de que estava empolgada com a perspectiva do filho dela ter uma possibilidade de casamento, já que eu nunca fui dado a namoros e ela cogitou mil vezes que eu fosse gay, até Andreia aparecer e ficarmos 7 anos juntos. Isso não vem ao caso, mas eu sei que minha mãe não quer que eu faça uma segunda graduação, ela quer que eu faça um filho e uma família e aquele sutiã significava muito mais para ela do que deveria.
Até que eu gostaria que significasse para mim também, mas não.
Era só mais uma arte de Cecilia.

...
 6 dias antes, encontrei Cecília almoçando na universidade. Almoçando brigadeiro, porque comida saudável não faz bem na TPM, segundo ela repete.( Cecília vive na TPM, pelo que eu pude perceber. ). Estava com duas malas enormes, disse que no dia anterior tinha dormido na sala do centro acadêmico, porque o conjugado que ela mora está em reforma por causa de uma infiltração. Eu nem precisei oferecer o teto, ela mesma me perguntou se eu não queria alugar um quarto na minha casa. Disse que iria pensar e que depois respondia. Dois minutos depois estava levando a mala dela pra um táxi e indicando onde ele deveria deixar.

...
No segundo dia de Cecília na minha casa, ainda não tinha me acostumado com a ideia dela estar a um quarto de distancia de mim, de nos esbarrarmos pela casa o dia todo e do fato dela espirrar cada vez que passa por mim depois da loção pós barba, que ela descobriu-se alérgica  Incrível como ela tinha certeza que a minha casa é tão dela quanto minha. Meu banheiro virou um closet para ela. Meu quarto, virou um lugar de estudo. O chão da minha sala, o lugar das refeições.
No terceiro dia dela na minha casa, já estava pensando em qual café da manhã ela iria gostar mais e cogitando comprar aqueles queijos sem gosto que ela adora.
No quarto dia, estava me perguntando como poderia voltar a dormir em paz se ela não estivesse acariciando minha barba enquanto assiste a novela e fala do cara que conheceu hoje e que pediu o celular dela. Desde que a conheço, deve ter sido o terceiro, se me incluir na lista.
O quinto dia, acordei e era sábado e ela tentou fazer o almoço, que ela não aguentava mais saber que eu só almoçava macarrão quando estava em casa. E ela fez saladas, molhos e um arroz cheio de coisas que eu nem sei dizer se estava bom, mas sei que era melhor que meu macarrão. E vê-la dançando enquanto cozinha pagava qualquer resquício de gosto de detergente que eu sentia no suco de maracujá. Porque tinha refrigerante, mas Cecília fica me explicando que não é saudável e quer proibir o mundo de beber refrigerante. E eu me deixo ser convencido por ela, até porque, não consigo achar motivo pra discordar do que ela argumenta. E assim, acaba a carne gordurosa, o macarrão com queijo ralado e o refrigerante do meu sábado. A única coisa ruim do quinto dia, foi descobrir que ela iria embora no sexto. 
O sexto dia começou cedo pra ela, que inventou de sair cedo de casa, junto comigo quando eu fosse  buscar minha mãe na rodoviária. Acordou duas horas antes e era só perguntas de onde estavam as coisas dela. E gritava de um lado pra outro. E quando eu saí do quarto, me deparo com Cecília vestida com a calça jeans e o sutiã de ovelha. Ela era o tipo de mulher que usava aquilo. E se ela estava usando aquilo na minha frente, já me perguntava se eu já podia desistir de um envolvimento romantico com ela ou se ela estava me dando mole ou se ela era desbocada e faria isso com qualquer pessoa que confiasse. Escolhi a terceira opção e fui pra o banheiro, enquanto liberava a passagem pra ela entrar no meu quarto e procurar os óculos e vestir a blusa no meu espelho.
E o furacão Cecília saiu da minha casa, não sem antes me abraçar mansinho e me agradecer pelo abrigo antes de entrar no taxi junto comigo, colocar os fones de ouvido e ouvir músicas aleatórias recostada em mim, enquanto eu contabilizava quantas paredes o tufão Cecília tinha reerguido em mim.

28 julho, 2013

Informações que ninguém quer receber, mas que eu julgo necessárias

Resolvi escrever para reorganizar coisas que ando pensando, para daqui a alguns meses eu olhar para isso e falar "oh, que bobagem, olha como eu era em julho, hahaha, daora a vida" ou "oh, eu pensava tanta coisa brilhante aos 20 anos!!" E publicar no blog é uma maneira de não perder esse texto (na verdade, estou considerando bastante deixá-lo no rascunho, porque odeio desabafar em publico e bom, nada pode ser mais público que isso, mas talvez as coisas escritas sejam úteis para alguém e daí para o final eu decido postar assim mesmo e nossa eu nunca me vi digitando tão rápido um parênteses) por aí, em alguma gaveta ou na versão escrita do "Além da Superfície" (considerando que alguém leia e não compreenda o que é isso, explicações: eu sempre escrevo em cadernos, diários, guardanapos os registros das coisas que ocorrem na minha vida. Isso é fantástico, porque : a) sempre lembro das coisas que ocorreram comigo; b) se eu não lembrar, eu terei como saber o que aconteceu; c) quando eu estou chateada, com raiva, triste, ao invés de descontar nos outros eu choro e escrevo, porque ninguém tem a ver com isso e aí passa; d) escrever é bom para exercitar a mente e manter a sanidade mental. Daí, esse ano eu fiz um caderno com o mesmo nome do blog, juntei todos os cadernos (de listas, diário, de oração, de atividades para fazer) e desde uns meses uso ele para tudo que eu não escrevo por aqui). E essa lista que virá a seguir vem de coisas que eu tenho guardado mentalmente desde maio na mente. Algumas eu percebi sozinha (são itens meios óbvios, tipo o 2), outros com uma pessoa, outros com várias pessoas, em experiências próprias ou não.

1. Se você sente falta de alguma coisa, alguma pessoa, algum animal, mas você não procura isso/esse, sinto informar: ninguém vai acreditar que você estava sentindo falta. O princípio é o mesmo que quando  você perde as chaves de casa: você sabe que é importante, você procura porque aquilo é necessário, você volta a ter paz quando encontra. Se não é tão importante, você não procura ou procura depois. Ninguém tem nada a ver com isso, mas não, você não precisa parecer descabelado(a) porque perdeu algo, mas não ter nenhuma atitude proativa sobre o sumiço daquele algo.
Outro exemplo: uma pessoa "some" do seu circulo social. Ninguém procura saber o que está ocorrendo, De repente, você encontra a pessoa e "OH MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ SUMIDO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO, EU ESTOU PREOCUPADO, ME MANDE NOTICIAS, SAUDADES, BEIJOS!!". Isso não é necessário, se sua preocupação não é verdadeira. Fim.

2. Desisti de tentar lembrar a utilidade de cada um dos "porques". Agora tanto faz para mim e essa é uma regra gramatical que eu me permiti quebrar porque se em 12 anos eu ainda não aprendi e estou viva e com perspectiva de me formar, casar, trabalhar, ter filhos sem saber dessa informação, é porque ela não é importante o suficiente (para mim, é claro. Não entendam isso como "queimem as gramáticas", continuem aprendendo a diferença entre todos os "porques" se isso traz alguma realização para vocês, rs)

3. Gente, se alguém (posso exemplificar comigo mesma? Pronto, leia "eu", no lugar de "alguem" e substitua os tempos verbais mentalmente, rs) faz alguma coisa que lhe desagrada, tem uma ferramenta fantástica que você pode fazer agora mesmo, no lugar onde você está, anotem: Abra a boca e fale. Pode molhar a ponta da flecha da verdade no mel antes de lançar, é preferível, mas fale!! FALE!! Ninguém tem bola de cristal (como se isso tivesse efeito, mas é uma expressão apropriada) para saber o que está acontecendo dentro de sua mente e as vezes um problema mínimo ao inves de ser resolvido vai sendo empurrado com a barriga. Relações humanas poderiam ser simplificadas se as pessoas falassem o que sentem em relação ao outro. Tão mais simples, tão mais eficaz.

4.  Grosserias gratuitas podem ser extintas o dia a dia. Nada é pior que receber palavras duras a troco de nada. Se seu dia está ruim, o outro não tem a ver com isso. Se você está chateado com o outro, magoar ele não vai diminuir sua cicatriz (ou quando você é atropelado por um carro e quebra a perna você quebra o carro e o motorista para ver se sara sua perna mais rápido ? Acredito que não). Estar destruído não te dar o direito de destruir o outro, independente dele ter a ver com o que quer que seja que está lhe deixando abatido. Isso é difícil, me esforço muito (MUITO! ) num auto controle para não ser chata com os outros quando estou chata (e nem na tpm isso é perdoável), nem sempre eu consigo guardar minha fúria para mim mesma, mas gente, seria tão legal que os outros tentassem fazer isso, se desculpassem depois de perceber o que fizeram ao invés de dizer "eu sou assim mesmo" e aí nós vamos pra o proximo tópico que explica que nessa situação da pessoa "síndrome de Gabriela" aprendemos que...

5. Engolir sapos (opa, vou usar todos os clichês possíveis nesse texto pelo "andar da carruagem") faz parte!  Isso é quase uma extensão do item anterior, mas acho importante para o bom convívio humano que a pessoa tolerem um pouquinho mais umas as outras. As vezes o outro não te trata da maneira que você (acha que) merece, mas vamos dar um desconto ao invés de já amaldiçoar a terceira geração da pessoa. Releve as coisas algumas vezes. Respire fundo e acredite de todo seu coração que ela está tendo um dia ruim e por isso falou daquele jeito, te tratou daquele jeito. Aprende a perdoar o outro, a conviver do jeito difícil que o outro é. Mostre-se solícito mesmo que aquela pessoa te massacre todos os dias. Não vou conseguir dar nenhum exemplo SENSACIONAL  de porque isso é bom, não cura doenças incuráveis,  não te faz rico, nem te dá Caio Castro nu na porta de sua casa (três itens que eu aprendi que muitas pessoa tem desejado ultimamente), mas tolerância com o próximo te dá paz de espírito e você se sente bem em saber que ao invés de gastar sua energia matando o vizinho, você está pesquisando na internet a receita do bolo verde (adoro bolo verde!!!) e pensando em dar um pedaço pra ele. Quem sabe ele não muda? Esse é um item que eu não tenho tanta dificuldade em cumprir, minha vida é relevar as coisas que as pessoas fazem, afinal eu também sou chata, quero que me tolerem, ame ao próximo como a si mesmo, essas coisas.

6- Eu tenho problemas em gostar de quem me maltrata, mas consigo relevar isso mais fácil do que gostar de alguém que maltrata cachorro por exemplo. Ou que é mal educado com os outros. Sim, eu mudo toda a concepção de uma pessoa que é fantástica comigo se eu souber que ela é ruim com outro. Prefiro que ela seja ruim comigo e que todo dia eu pense que eu faço algo que desagrada (voltar pra item 3) do que eu imaginar que ela despreza alguém do meu apreço a troco de nada. Não sei se faz sentido, mas é assim que tem funcionado comigo. Me ridicularize e eu ainda consigo (depois de muito auto controle) te dar bom dia sorrindo, pensando que essa situação pode mudar um dia Ridicularize o outro sem motivo (ou com motivo, whatever) e eu não consigo ser a mesma com você. Preciso de solução para esse item, caso alguém tenha estou aceitando.

7. Durante muito tempo eu tinha pessoas que eu não ia com a cara, por motivos "tem cara de chato", "não gosto do cabelo", "fala alto demais". Um dia comum eu acordei pensando em quantas pessoas já me disseram que resistiram a falar comigo porque me achavam metida. E eu não gostei mais da ideia de "não ir com a cara de alguém" antes de conhecer. Ter o hábito de querer conhecer o outro, seus pontos de vista, como ele vê o mundo, ao invés de "julgar pela capa" é uma experiencia válida. Pela extinção do "não fui com a cara de fulano" antes de conhecer (ou baseado nas informações passadas sobre fulano, o que seria um pré conceito, que é o próximo item).

8. Tenha pré- conceitos sobre as coisas, porque conhecimento empírico é útil e usar a intuição é válido. Só não é interessante se apegar a isso. Melhor que o pré conceito é o pós conceito. Dê a si o trabalho de descobrir a coisa antes de reproduzir um conceito superficial da coisa, baseado no achismo. Não perca seu tempo criando juízo de valor sobre algo, sem ter conhecimento além do seu pré conceito sobre esse algo. As coisas vão sempre além do que o que parece óbvio.

9. Procrastinar não rende fruto nenhum. Nunca. Não se iluda. Não existe tempo vago, existe alguma atividade útil que está sendo negligenciada (mesmo que essa tarefa seja dormir, como no meu caso agora)

10. As vezes se faz necessário usar toda liberdade (amo essa palavra e todo significado - muitas vezes utópico -  que ela carrega. Acho que é minha palavra predileta, podia ser o item 11 isso) que temos nas mãos para fazer nossas escolhas. Perceba que nesse item eu uso a primeira pessoa do plural, me incluo no grupo de pessoas que precisam ser convencidas por isso. Que as vezes a gente faz o que todo mundo quer, até o padeiro tem maior influencia nas nossas escolhas que nós mesmos. Por isso, esse item foi criado; para lembrar para mim mesma (e para quem estiver lendo) que escolher o que se quer, não dói. Se não fere seus princípios, não fere o direito do outro, não vejo motivo que te impeça de arriscar uma escolha diferente. O corte de cabelo que sempre disseram que não ficava bom em você, a aula de canto que sempre disseram que você não tinha tempo, o curso da graduação que sempre disseram que você não tinha talento para seguir e tantas outras coisas que deixamos de lado porque um terceiro diz (impõe!) qual a regra da vez. Se der errado, enquanto há vida há esperança, não é mesmo ? (estou cheia dos clichês hoje)

Em breve mais itens das minhas reflexões atuais!