27 dezembro, 2011

Explicando refração de ondas


Se você amarra duas cordas de densidades diferentes uma na outra elas deixam de ser duas cordas e passam a ser um sistema. O movimento que uma fizer irá obrigar a outra a também movimentar-se para acompanhar a oscilação. Caso esteja difícil manter as duas cordas juntas, pode-se separar o sistema e deixar que elas separadas criem suas próprias ondas de freqüência e comprimento diferentes (lembre-se que elas são cordas de densidade diferentes por isso a vibração em cada corda é diferente quando separadas. Elas só vibram em harmonia quando estão juntas). A desvantagem de desfazer o sistema é que não dá para fazer o estudo da refração, que é o que nos interessa. Então, fingiremos que essas duas cordas querem estar juntas para que o estudo prossiga.
Quando as cordas estão juntas num sistema e é produzido um pulso as duas vibram, obviamente; contudo se esse pulso vem do lado mais frágil da corda, o pulso muda de sentido. Da seguinte maneira: a corda mais fraca manda o pulso para a corda mais forte, mas no meio do caminho a corda mais forte muda a direção do pulso recebido. Isso ocorre porque no sistema, entende-se que um pulso que sai de uma extremidade fina (ou frágil, ou fraca, como quiser chamá-la) para uma extremidade mais densa surte o mesmo efeito de um pulso numa corda com a extremidade fixa.
Repetindo toda a idéia: quando duas cordas distintas amarram-se uma na outra e ocorre um pulso entre elas, o movimento que ocorre é o mesmo que ocorreria se elas estivessem presas.

26 outubro, 2011

que é pra ver se você fica

Você mal chegou e está indo embora Bem que você disse que era só de passagem. Mas, essa era a minha fala. Eu que passo, vocês ficam. Você fica. 
Eu sei que a situação parece desesperadora de vez em quando, que o talvez não preenche ninguém, que a comida não é tudo, que a conta está vencida, que o descaso é algo que incomoda a todos nós, que o mundo lá fora parece melhor do que essa redoma nova, que você já deve estar de saco cheio de esperar pelo que parece que nunca vai chegar, que você acha que não vai ser ninguém se continuar assim, eu sei de tudo isso. E se você ficar, nada do que eu mencionei vai se resolver, mas ao menos os problemas serão motivos de riso para nós, e seremos pessoas preocupadas, porém felizes. E se você arranjar um par por lá, vou ter certeza que você nao volta. E se você resolver um dia voltar, que seja num dia próximo.
Ah, se você ficasse... 

Você vai ler isso um dia e nem terá ideia que é para você. É que eu já estou prevendo sua ida.

Kath

24 outubro, 2011

das analogias (nem sempre bem sucedidas)

Os laços: são bonitos, precisam de certa habilidade para serem feitos com perfeição. Amarram de leve, afrouxam-se rápido, desfazem-se fácil.
Sem a segunda dobra das orelhinhas de coelho o laço é apenas um . Um nó sozinho é fragil, fraco, solto. Um nó sobre outro torna-se resistente, firme. Sufocante, que aperta, que não afrouxa, que não larga, que prende, que aflito grita querendo libertar-se.

Dá dois nós, uma laçada, faz uma forca e mata. Silenciosamente.

Vale a pena escrever que após todo esse meu discurso sobre nós e laços, disseram-me que talvez eu gostasse de alianças. Que isso seria o meio termo teoricamente aceitavel por mim. Pois bem. Só esqueci de perguntar se a aliança mencionada era concreta ou abstrata. Vai saber.








N.A: é impressão minha ou "liberdade" é um assunto que está sendo comentado em excesso por aqui ?Juro que nao é proposital.

post atualizado depois de publicado. 

25 setembro, 2011

Cativeiro meu


“Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas”

Estou fechado para ser cativado. É que com a experiência ( e a falta dela) vejo que falta algo antes de me responsabilizar durante o tempo eterno por alguém que eu cativei. E se no desespero para que alguém me cative, eu ao invés de achar um cativador achar um cativeiro (outra vez). Prefiro não me arriscar de novo.  Independente do que for, prefiro não me disponibilizar a me tornar a responsabilidade eterna de ninguém. Minha predileção é que eu seja cativo de mim mesmo, antes de tentar ser cativo de alguém. Se eu puder achar um aquilo para cativar, procuro a responsabilidade eterna e me torno nela. Entretanto, só depois de já ter aprendido a ser eterno cativeiro de mim.


Pergunte- me o que eu quis dizer com esse texto ? Não sei, só sei que ele estava perdido no meu computador há séculos e eu nem lembro de quando o escrevi, nem porque o fiz. Enfim, estava na pasta dos textos para o blog, então devia ser publicado. É isso.

22 setembro, 2011

Sintonia




Você fala de jazz, eu penso em pandeiro
Você não sabe tocar; eu não sambo.
Eu penso em poesia, você em prosa
Não entendo parágrafos, nem você as métricas.
Folha eu; mão você
Espero para ser escrita; esperas com o que escrever
Eu, fita. Você, mão
assim, nós.

17 setembro, 2011

bmc

se o trem não tivesse ido antes
estaria indo agora
e de qualquer forma eu ainda estaria atrasada
então deixo isso de lado e me deixo também
vou a pé
e adianto minha volta

14 setembro, 2011

Coisas de sapatos

Mariinha sabe amarrar os sapatos, mas tem falta de vontade de fazer isso o tempo todo.  Nos primeiros cinco minutos andando, ouve um" psiu, coisinha olha o sapato" e finge que não ouve nada. Só anda e anda. Passa mais um tempo, e uma outra voz, dessa vez feminina, que grita o mais alto que pode: " fia, olha 'pro' pé. Vai quebrar a cara". E Mariinha anda e anda. A liberdade de Mariinha começa pelos pés. E desamarra o cadarço para que eles se sintam livres. Ela promete que um dia vai se desamarrar também. E por enquanto, anda e anda.

16 abril, 2011

Part(ida)

"A dor de perder alguém em vida é pior do que a dor da morte, porque é o nunca mais de alguém que se poderia ter, já que está vivo e por perto."
Não houve tempo pra despedidas, para trocas de olhares, para um adeus. Você ficou lá, no 3º andar, olhando o movimento da rua oposta, sem acreditar que eu iria. E eu fui. Duas bolsas, alguns trocados e toda coragem do mundo nas costas. Fui sem bater a porta, fui devagar para ver se você ia olhar para trás, para ver se você iriar reagir a minha fuga. Eu fui e você não fez nada. Mesmo sabendo que nada mudaria se vocês brigasse, gritasse e me colocasse de castigo, queria que você ao menos tivesse tentado. Queria sair com a impressão de a omissão não faz parte da sua constituição básica. Mas, nada disso ocorreu. Você ficou e eu fui. Cheguei na rua e olhei para o apartamento. Apartamento de uma vida vivida. Olhei e respirei profundamente, como se quisesse inspirar as raras boas lembranças que tinham no ar. Vi algo sendo jogado da janela do 3º andar e uma cortina sendo fechada em seguida. Olhei para ver o que era: um porta-retrato espatifado com uma foto no parque, anos atrás. Eu, você e Pequena. Você queimou na foto o rosto dela com o cigarro, renegando -a . E sobrou apenas nós duas. Agora olhando a foto, vejo que também tenho o rosto apagado pelo calor do cigarro.O fato de você ter jogado aquilo pela janela, demarcava que você me renegava também. Mas, já não importa. Eu saí para não te odiar mais. E é isso que estou decidida a fazer. Pergunto -me onde foi parar o amor que outrora você sentiu. O amor por mim, o amor por Pequena. O amor próprio.


"Comece - ironicamente - seguindo o conselho de quem deixou de te amar. Cuide de você."
Me dirigi a estação pensando nos acontecimentos das últimas semanas, as últimas bebedeiras, as últimas humilhações, e um único pedido de refúgio. E eu disse sim a ele. Você sabe, isso é realmente uma fuga; não estou indo morar com alguém por amor, ou por nada disso. Só quis ficar longe e o casamento me pareceu uma boa alternativa. Ou a única alternativa. Não foi o que eu sonhei, mas será melhor que o pesadelo nosso de cada dia. Entrei no taxi. O  celular tocou, número desconhecido. Quando atendi, a voz mais confortante do mundo me perguntou onde eu estava. Pedi que ela se acalmasse, que eu já chegaria. Pequena pediu que eu fosse com cuidado. Desligou. Pensei em todo plano novamente: encontrar Pequena  na estação de trem, ir para o fórum da outra cidade, assinar os papéis e ir para a nova casa dos outros. Provavelmente meu futuro noivo não vai reclamar da presença de Ana por lá. Ele é bonzinho. Vai gostar de cuidar da minha irmã mais nova como se ela fosse uma filha dele, mesmo sabendo que não se adota mais as crianças depois que elas já tem 20 anos, como Ana. Não que se deixe de ser criança nessa idade. Se ele morrer ao menos estarei com ela.


"Ô menina, veja bem… Ouça uma boa música, leia um bom livro e bola pra frente. Pode parecer clichê, mas funciona. Vá por mim."
Cheguei na estação ferroviária, avistei distante a Pequena com uma mala pequena e um celular na mão. Me aproximei, e sem falar nada ela me abraçou e foi me arrastando pela mão esquerda para sentar no banco. Ela não falava nada, eu não falei nada. Ouvi Pequena ligar para o trabalho e avisar que não iria mais. Desligou na cara do chefe que pedia justificativas. Ao mesmo tempo a angústa se refletia no movimento que eu fazia de puxar a aliança do meu dedo para cima e para baixo. Pelo horário, se não estivesse nublado daria para ver o pôr-do-sol. Meu celular tocou, meu noivo me perguntou pela terceira vez se não achava melhor ir me buscar. Disse pela terceira vez que não. Engraçado como nós dois somos pessoas de poucas palavras. Nos conhecemos a anos e quase tudo entre nós fica subentendido. Mas, nem tudo fica bem explicado. Não que eu me importe com isso. Ouvi o apito do trem, nos chamando para entrar. Ana levantou na minha  frente e disse um quase inaudível "Mana, vamos ?" com um certo ar de dúvida.

"Eu queria ir pra um lugar onde eu tivesse uma sensaçãozinha, ilusória que fosse, de que tinha alguém prestando atenção em mim."
Peguei a bagagem, entrei com uma certa vagareza, ela também. Nós esperávamos a mesma coisa, que você no último minuto tentasse intervir, na vã tentativa de salvar os anos perdidos. Nada. Sentei, Ana ao meu lado pegou um livro e começou a fingir que lia. Dez minutos e o trem parado no mesmo lugar. Dez minutos e meus olhos começavam fechar. Não sei quanto tempo mais se passou, até que ouvi o maquinista dizendo que o trem se atrasaria. Como se ele já não estivesse atrasado. Como se eu não estivesse atrasada.  Olhei rapidamente para a estação, já coberta pela neblina noturna. Olhei pela janela. E aí os nossos olhos se encontraram. Você olhava fixamente para mim, uma expressão firme e eu não sabia o que queria dizer. Tive vontade de fechar a cortina da janela, demonstrando que agora já era tarde. Tive vontade de descer correndo e abraçar você, para depois voltar para o trem com a certeza de que você consentia com minha ida. E não fiz nenhum dos dois, prossegui te olhando. Você disse alguma coisa para mim, e eu não soube interpretar o que era. Entendi que você estava me deixando ir, e que queria que eu fosse feliz. Entendi que você pedia desculpas a Ana. Entendi não pelas suas palavras, mas pelas lágrimas que eu via. E então, você pegou uma sacola e despejou seu conteúdo no lixo. Suas garrafas amigas estavam ali, indo embora na lixeira da estação; suas carteiras amigas também ficariam por lá. Olhei pra o lado e Ana estava lá, chorando por ter te visto. E finalmente o trem começou a andar e nenhuma de nós deu tchau uma para a outra. Eu me enchi de orgulho por você ter escolhido a você mesma, finalmente. 

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros
Ana apertou minha mão e se encostou no meu ombro e me perguntou se eu achava que você ficaria bem. Respondi que sim. E ouvindo o som do trem, voltei a adormecer e sonhei com o momento que voltaria para lhe mostrar que agora você tem netos. Sobrinhos - netos, quero dizer. Foi o hábito. É que tia você nunca foi. Perdeu-se no caminho e virou mãe. Até o dia que perdeu as estribeiras e deixou de ser tia, deixou de ser mãe. Deixou de ser você mesma. Você sabe.


“Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.”
 É isso. Agora já estou casada, já vi minha nova casa, já acomodei Ana. Meu esposo lhe manda um abraço. Ana também. Não sei se vamos manter contato. Obrigada por ter dado essa nova chance para você. Fique bem, minha mãe. Eu amo você.

Afetuosamente, 

Christiana(com uma ajuda de Caio F de Abreu) 


Se você chegou até aqui significa que você conseguiu ler todo o texto, que ficou meio super extenso. Passei 11 dias pensando em todos os desfechos possíveis para essa carta, e mudei ela inúmeras vezes. Essa foi a forma de acabar que mais me agradou, mas tenho certeza que teriam outras que talvez ficassem melhores. Obrigada a voces que leem/comentam por aqui. Amplexos.